FÉRIAS

Entre as conquistas mais importantes do trabalhador estão as férias. Não só porque proporcionam merecido descanso depois de 11 meses de trabalho, mas porque estão relacionadas à saúde pública. Como cidadão e como homem público, entristece-me saber que parte desse direito pode ser vendido. As férias não poderiam nem deveriam ser negociadas, porque elas são a oportunidade que as pessoas têm de se restaurar, de oferecer ao seu corpo, à sua mente, um período sem compromisso formal.  Todos deveriam ter esse tempo para relaxar.

Assim como o trabalhador, os estudantes também gostam desse período e muitas famílias aproveitam para coincidir suas férias com as de seus filhos para se afastar do ritmo estressante deste cotidiano moderno, no qual não existem mais quintais na maioria das casas, e crianças e adolescentes vivem praticamente presos à realidade virtual dos jogos e brincadeiras do computador. Isso para quem pode. Famílias mais pobres, durante o ano inteiro, vivem entre quatro reduzidas paredes e enfrentam o problema de ter férias e não ter para onde ir, por falta de dinheiro ou de alternativas que o poder público deveria oferecer. Quando construí a ponte do Outeiro, pensei nisso. Também acabei com o pedágio que era cobrado na ponte de Mosqueiro (fui eu, como governador, quem pagou o empréstimo que o estado fez para a construção da ponte),  porque o pedágio era um empecilho, um obstáculo aos mais pobres. Sempre estive preocupado com isto: oferecer lazer que estivesse ao alcance de todos. Construí a rodovia que leva à praia do Crispim, como alternativa para Marudá. Fiz o mesmo em Bragança e construí a estrada até a praia de Ajuruteua, que não existia. O projeto O Povo vai à Praia, no meu governo, era preparado com antecedência de seis meses, para que houvesse tempo de se conversar com as prefeituras envolvidas, conhecer os problemas e elaborar programações que envolviam profissionais de educação física e da área artística, além de comprometer os órgãos estaduais na perfeita organização das férias de julho para que os municípios selecionados contassem com infraestutura necessária para atender à população que se multiplica na época, porque é terrível escolher o local das férias e depois enfrentar problemas de toda sorte, como falta de água, energia, segurança nas praias, transporte e a falta de abastecimento.

Como vivemos hoje um tempo de consulta popular sobre o destino de todos nós, paraenses – vamos ter que responder a um plebiscito em pouco tempo – eu imagino que seria muito salutar conhecer mais o Pará. O Pará tem que ser conhecido para ser mais amado.  Nós temos paisagens fantásticas como as praias que se formam ao longo do rio Tapajós, as verdes águas do Xingu, os lagos formados pelo Nhamundá, ou as ilhas que desabrocham nesta época no rio Araguaia. Uma paisagem inesquecível que eu trago na memória é a visão de estar às margens do Araguaia, na cidade de Santa Maria das Barreiras, numa manhã de domingo, há muito tempo. Conceição do Araguaia, por exemplo, é mais frequentada e conhecida por turistas de outros estados. A beleza de Marajó, seus campos, suas fazendas, Soure, Ponta de Pedras e Salvaterra; Mosqueiro e Colares; Icoaraci, que está bem perto de Belém, e onde se pode beber água de coco e apreciar a baía de Guajará; Salinas, São Caetano de Odivelas, São João de Pirabas; a praia da Romana, em Curuçá, onde se imagina a construção do Porto de Espardate; o nordeste paraense com fazendas e campos parecidos com os do arquipélago de Marajó… Enfim, são as tantas belezas que o que nos falta é engenho e arte para encarar o desafio da área turística que é preparar, divulgar e estimular os paraenses a conhecer mais a sua terra. Com o esforço da população e o trabalho do poder público, é possível – principalmente para a o povo mais pobre –  ter mais opções e aproveitamento das belezas paraenses que nada devem aos grandes postais de terras estrangeiras.

JADER BARBALHO
*Texto originalmente publicado no jornal Diário do Pará no dia 03 de Julho de 2011.

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VERÃO PARAENSE

Em clima de Copa do Mundo, os paraenses já programam as férias de julho. Minha preocupação maior nesse período é com as condições de transportes nos nossos rios e estradas. O Pará tem inúmeros municípios de belas paisagens, entretanto os organismos públicos responsáveis pela manutenção e ampliação da infraestrutura estadual não tratam a questão com prioridade, e as demandas necessárias não foram realizadas, ou então – como é o caso da estrada de Salinas – agora é que estão sendo feitos os remendos sem licitação, de última hora, o que deixa o nosso povo à mercê dos perigos contidos nas péssimas condições de deslocamentos. Todo cuidado é pouco.

Como homem público, a minha preocupação tem sido sempre com dois itens indispensáveis ao desenvolvimento: energia e infraestrutura. Sem energia, nada sai do papel, e sem infraestrutura, nada sai do lugar. É esse pensamento que me acompanha e com o qual pude planejar e realizar ações de integração do Estado. Então, nos meus dois governos, antes de começarem as férias, fossem as de julho ou as de dezembro, eu reunia a equipe de governo e os prefeitos dos municípios que possuíam um fluxo maior de visitantes para fazer uma lista de prioridades e providências. A Secretaria de Transporte apresentava o seu plano de ação para não deixar que o cidadão sofresse transtornos tanto nas estradas como nos rios. A Polícia Militar reforçava a segurança. A Secretaria de Saúde aumentava seus quadros para atendimento e providenciava o estoque necessário para não faltar medicamentos. Celpa e Corpo de Bombeiros ficavam alerta. A Secretaria de Cultura, com seu programa O Povo Vai à Praia e outras programações de esporte e lazer, garantiam a animação cultural.

Enfim, cada órgão fazia uma lista de providências. Tudo orçado e com dinheiro para o pagamento dos artistas locais ou de outros contratados. Nada ficava pendurado, fiado. Enfim, nada era feito na base do improviso. Construí obras como a pavimentação da Estrada para Alter do Chão, em Santarém (a mais bela praia do Brasil, nunca é demais dizer), as rodovias de integração PA-150 e PA 151; a Estrada de Ajuruteua e Crispim (também considerada como uma das mais belas do país); a rodovia Translago, que liga Santarém a Juruti; a Transmarajoara, a Ponte de Outeiro e tantas outras de igual importância para o acesso de todos às riquezas naturais como, por exemplo, a nossa região litorânea. Pude, também, introduzir a estruturação do transporte hidroviário e construir inúmeros aeroportos e aeródromos, para ampliar o acesso a todos os cantos do Pará. O que falta é a continuação, a atualização e avanços desses planejamentos e ações. Os nossos discursos, assim como as reivindicações do povo, continuam os mesmos, porque a realidade é a mesma de 20 anos atrás. É preciso avançar, estar à frente, principalmente com essa questão da infraestrutura no Pará.

Uma ação que sempre dá certo é a parceria com as prefeituras, porque possibilita que as obras de asfaltamento, interiorização de eventos culturais e os convênios para estimular o desenvolvimento social e econômico dos municípios sejam realizados em perfeita integração com a comunidade. Isso faz muita diferença quando se quer eficiência no planejamento administrativo, porque o povo está lá no município, para sugerir, cobrar, conferir e também para festejar os resultados. Mas, tudo tem que ser feito com a antecedência devida.

Eu – como qualquer paraense – sei que existe muita coisa pra ser melhorada nos municípios que recebem os visitantes em julho, principalmente quanto ao transporte – hidroviário e rodoviário – e estou na torcida para que o Pará ganhe esse jogo. Por enquanto, vamos aproveitar as férias e as belezas naturais do nosso estado. Bom verão para todos e que as próximas férias sejam ainda melhores.

JADER BARBALHO
*Texto originalmente publicado no jornal Diário do Pará no dia 13 de junho de 2010.

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A PONTE DE OUTEIRO

As maiores obras de meus governos foram determinadas por um sentimento de angústia que eu sentia ao percorrer o vasto território paraense. A ponte de Outeiro foi assim. Outeiro, antes da ponte, era a principal praia freqüentada pela população mais pobre. O trabalhador e sua família, para usufruir lazer, saía de madrugada de sua casa, enfrentava longas filas de espera por ônibus e balsa para passar poucas horas na praia. Sem falar nos acidentes semanais, alguns com perdas de vidas na difícil travessia do Rio Maguari. Era um drama, tanto a ida como a volta a Outeiro.

Eu cansei de ver tanto sofrimento por tão pouco tempo de lazer e muitas vezes pensava que tudo poderia ser resolvido com uma ponte; que o trabalhador um dia iria tomar apenas um ônibus e num curto espaço de tempo poderia chegar a um dos mais belos balneários do Pará e do Brasil. Então, eu confesso que quando construí a ponte de Outeiro, não pensei em progresso ou desenvolvimento. Pensei nas famílias mais pobres, no quanto faz bem à saúde um pouco de lazer e pensei na população da Ilha, isolada do continente por menos de 500 metros, sem poder escoar sua produção ou receber gêneros com rapidez. Os jovens tinham que morar em Belém para estudar ou trabalhar. Pensei no quanto isso poderia ser barato e muito mais fácil. A ponte era uma reivindicação do povo e eu meditava sobre isso toda noite.

O tempo de construção foi recorde: sete meses, para ser inaugurada num domingo, às 10h do dia 26 de outubro de 1986. Foi totalmente construída com recursos dos paraenses. Não há um centavo de investimento do governo federal ou de qualquer outra fonte. Custou à época, 83 milhões de cruzados; tem 360 metros de extensão, por 11 de largura além de área para pedestres; seu vão central mede 60 metros de largura por 10 de altura. Sua estrutura e toda em aço e concreto armado. A construção exigiu que outra ponte menor – de 30 metros – fosse feita sobre o riacho Taboquinha e também a pavimentação da estrada de acesso à ilha.

O nome da Ponte de Outeiro – Enéas Martins – é uma homenagem a um homem vítima da história política, que foi governador do Estado, ligado ao Barão do Rio Branco. Era um homem brilhante, que veio ao Pará tentar apaziguar o caos político da época. Foi tão perseguido pelo maior jornal que acabou deposto e, desgostoso, voltou ao Rio de Janeiro onde morreu de depressão.

A festa da inauguração da Ponte de Outeiro foi um dos melhores acontecimentos de que participei. Mais de trinta mil pessoas festejaram a realização de um sonho, tanto dos moradores de Belém, como da população local. As comemorações começaram no dia anterior e se estenderam por quase uma semana. A maior reclamação – segundo os jornais da época – foi a falta de cerveja, porque os barraqueiros da ilha não contavam com tanta gente.

Hoje, passados 34 anos, sempre que me perguntam se houve estudos dos impactos que a obra poderia causar eu repenso sem me arrepender e digo que fiz uma obra na natureza, para ser usada em benefício do povo mais carente. Não há ocupação ou interferência humana, por menor que seja, sem conseqüências naturais. Cabe ao homem saber conciliar sua vida com a natureza. A ponte foi construída para facilitar o acesso do trabalhador a uma área de muita beleza, porque isso faz bem a sua saúde física e mental. Se não houver responsabilidade – tanto do poder público que tem o dever de fazer e do cidadão, que tem o dever de vigiar e cobrar – o equilíbrio natural estará comprometido e a vida do homem também.

JADER BARBALHO
*Texto originalmente publicado no jornal Diário do Pará no dia 09 de maio de 2010

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