NÓS SOMOS NÓS

Nós, paraenses, não queremos ser outro povo, nem vivemos a sonhar com aquilo que não faz parte da nossa identidade. Podemos admirar e aplaudir o sucesso dos nossos irmãos brasileiros ou de qualquer parte do mundo, mas orgulho e honra nós possuímos o suficiente das nossas tradições e da variedade da nossa arte e da nossa cultura.

Como não se orgulhar de ver Bragança completar 400 anos, e da Marujada na Festa de São Benedito? E a festa do Çairé, em Santarém? O ritmo do Siriá na visão de Mestre Cupijó? O Carimbó, o Lundum, os Bois Bumbás e a exclusividade dos nossos Pássaros Juninos? A culinária paraense é uma arte de sabor e variedade. O polo de cerâmica de Icoaraci, distrito de Belém, é espontâneo, criado pela população. Os carnavais de Cametá e Vigia recebem foliões de todos os municípios. Não há Estado com tanta diversidade cultural quanto o Pará. A história paraense da música, do teatro, do cinema e das artes plásticas tem grau de excelência. Existem centenas de exemplo disso.

Cabe ao governo apoiar e incentivar toda manifestação popular, seja um movimento espontâneo – como é o caso dos artesãos de Icoaraci – de um artista isoladamente, ou de grupos que se reúnem e cumprem as várias etapas do processo de criação até chegar à exposição do projeto artístico. Infelizmente não é isso que tem acontecido nos últimos tempos. A política atual é a da exclusão da maioria, porque os poucos amigos têm que ser privilegiados. As bandas de músicas que existiam em quase todos os municípios estão desaparecendo. Os Pássaros Juninos estão em extinção, a atividade teatral passa por um momento de resistência, assim como a de cinema, por falta de incentivo. O carnaval de rua de Belém, que já esteve entre os melhores do Brasil, agora não existe mais porque o estado tomou a decisão de patrocinar as grandes escolas de samba do Rio de Janeiro. Não sou contra o apoio às Óperas e projetos culturais. Pelo Contrário. Eu trouxe para o Teatro da Paz a ópera O Guarani, nos festejos do centenário de Carlos Gomes. Eu sou contra o descaso; sou contra esse sentimento de desprezo, como se a nossa cultura popular significasse subdesenvolvimento. Ao contrário, só as sociedades evoluídas valorizam suas culturas. Têm na sua cultura um patrimônio de valor inestimável. Eu falo com propriedade, porque tive a oportunidade de ser duas vezes governador e, nessa época, a cultura e a arte viveram momentos de efervescência, de diálogo e valorização. O projeto Preamar é o maior exemplo: toda cultura do interior do estado e dos subúrbios de Belém desembocava num grande festival promovido pelo Centur (Centro Cultural Tancredo Neves) que eu criei. Claro que ao meu lado estavam figuras da maior respeitabilidade e sensatez como João de Jesus Paes Loureiro, Glória Caputo e Guilherme de La Penha. Havia um esforço conjunto, um ambiente democrático para expor à sociedade a nossa identidade cultural, porque se não valorizarmos o que é nosso, corremos o risco de ser meros copiadores da cultura alheia por falta de estímulo às novas gerações.

Eu presto minha solidariedade total a esse movimento de rebeldia e de protesto da classe artística que está nas ruas, e sei o tamanho da soberba de quem tenta esconder a história debaixo da escada (como aconteceu com a placa de inauguração do Museu do Estado, que leva meu nome, arrancada do pátio interno e propositalmente lacrada embaixo de uma escada de serviço). Os governos passam, os poderosos de plantão em pouco tempo serão esquecidos. Ficam a sociedade e seus traços no tempo expressos na sua arte e na sua cultura.

JADER BARBALHO
*Texto originalmente publicado no Jornal Diário do Pará no dia 21 de Julho de 2013.

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EDUCAÇÃO – INVESTIMENTO E QUALIDADE

O Brasil está entre os 15 países que mais investem em educação, quando são contabilizados os gastos com os programas de bolsas e apoio a alunos. Quando se trata de qualidade da educação, porém, nós despencamos para o 53º lugar, de um total de 65 países analisados pela OCDE, que é a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. O PIB nacional reserva 5,7% para o setor, podendo chegar a 10% de acordo com proposta que tramita no Congresso.

O maior problema brasileiro pode estar – se considerarmos a avaliação da Organização – na má gestão e na distribuição, e não propriamente no volume de investimentos. O governo federal precisa rever suas funções. Precisa estar mais perto dos municípios e da sociedade. É possível que haja investimentos maiores em determinadas regiões em detrimento de outras. A Amazônia, por exemplo, sofre uma carência demasiada de recursos para a educação, principalmente nos municípios mais distantes, nas localidades onde não há escolas, e aonde nem chegam professores.

Há uma tese sobre a federalização da educação básica sendo discutida. Não creio que isso seja factível num país continental como o nosso que não consegue resolver seus problemas atuais, que dirá com mais uma sobrecarga de assumir o ensino básico. Federalizar está na contramão da descentralização. Federalizar a educação básica pode distanciar ainda mais o município do Estado; o cidadão de seus governantes mais próximos. A tarefa do governo federal – como chefe, líder da federação – é ampliar sua ajuda aos municípios, fiscalizar corajosamente o emprego dos recursos, cobrar dos gestores a correta aplicação e analisar os resultados. Ou seja, perseguir a qualidade. É a qualidade do ensino e a preparação correta do aluno para o mundo que vai garantir um futuro melhor.

Eu insisto é na disseminação das escolas técnicas porque hoje o ensino médio não prepara o aluno nem para a universidade, nem para que ele possa se empregar, fazer uso do que aprendeu. As escolas técnicas dão ao aluno não só o certificado de conclusão de curso, mas uma profissão. Mesmo que ele não faça uma faculdade, pode ser inserido no mercado tão carente de profissionais técnicos. As escolas técnicas federais existem desde o início do século 20 e preservam sua reputação. O que está faltando ao Brasil de hoje é investimento nesses modelos voltados para as vocações socioeconômicas regionais, sem contar que essas escolas têm a possibilidade de abrigar campi das Universidades Federais, com graduações de nível superior ou mesmo especializações, como é o caso de Bragança onde já existe mestrado em Biologia Marinha.

JADER BARBALHO
*Texto originalmente publicado no Jornal Diário do Pará no dia 03 de Fevereiro de 2012.

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PMDB define candidatos em municípios

O PMDB homologou as candidaturas a prefeito em Bragança, Maracanã e São João de Pirabas. Pela manhã, em Bragança, o vice-prefeito, Américo Sarmento (PMDB) foi o escolhido. O vice foi revelado pelo senador Jader Barbalho, presidente regional do partido, no final da convenção, escolhendo o nome de Gilberto Oliveira (PSC).

À tarde, a caravana do PMDB chegou à Maracanã, onde houve a escolha de Ícaro Gomes e o educador Raimundo Pinto. Em São João de Pirabas, outra chapa para prefeito e vice puramente peemedebista: Cláudio Barroso, que virá a reeleição ao Executivo, e o vereador Tonhão. “É tempo de viver a política com o máximo de maturidade, sempre com a intenção de somar e multiplicar, nunca de subtrair ou dividir”, disse Jader.

ANANINDEUA
Já em Ananindeua, o PMDB anunciou o nome do vereador Almir Santos, como vice do deputado Estadual Chicão, que concorre à vaga de prefeito.

O senador Jader Barbalho, presidente do PMDB estadual, a deputada federal Elcione, e representantes do PPL, PSC, PHS e PC do B participaram da convenção, além do prefeito, Helder Barbalho. “Basta comparar Ananindeua o que era e o que é hoje. Vamos nos dar as mãos e eleger quem tem compromisso. ”, afirmou a deputada Elcione Barbalho.

O prefeito fez um balanço das realizações de suas administrações, relacionando avanços na área da educação, saúde, saneamento e habitação.

CASTANHAL
O ex-prefeito Paulo Titan – PMDB foi escolhido para disputar o pleito com outros três candidatos. Além de PMDB, PSDB e PT, o candidato Paulo Titan vai contar com apoio de partidos como PTN, PHS, PSDC, PSC e PSD.

*Matéria originalmente publicada no Jornal Diário do Pará.

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UNIVERSIDADE DO NORDESTE DO PARÁ

Semana passada, no meu gabinete do Senado, recebi a honrosa visita do vice-reitor da Universidade Federal do Pará, professor Horácio Schneider que me entregou o projeto de criação e implantação da Universidade Federal do Nordeste do Pará. Na mesma ocasião, o reitor Carlos Maneschy protocolou o documento no Ministério da Educação e Cultura. Fiquei muito contente com a visita e com as perspectivas que o projeto contém. Além de ser um trabalho bem elaborado, já nasce com um modelo de desenvolvimento baseado nas potencialidades da região mais populosa do estado.

Todos os que tiverem a oportunidade de ler ou de saber sobre a criação da Universidade Federal do Nordeste do Pará, a Ufnepa, vão abraçar a ideia porque as dimensões continentais do Pará e as dificuldades econômicas têm interrompido o sonho de muitos jovens que é cursar uma faculdade. Eu conheço a realidade dos que vêm do interior fazer faculdade na capital. Quando estudante, frequentei a Casa da Juventude, um lar para os universitários do interior. Havia também a Casa do Estudante e outros poucos locais para aqueles que não possuíam uma situação econômica melhor. Em minhas andanças como deputado visitei, em Óbidos, um polo da Universidade Federal Fluminense, que depois se instalou em Santarém, e eu me perguntava como uma universidade do Rio de Janeiro podia estar presente no interior do Pará e a nossa universidade só existia na capital? Então, quando fui governador – e me orgulho muito disso –fiz parceria com a Universidade Federal do Pará e levamos juntos, governo e universidade, os primeiros polos para os municípios. Hoje muitas cidades do interior ainda colhem os frutos plantados àquela época. Santarém, por exemplo, com tantas instituições de ensino, está a caminho de ser transformada numa cidade universitária.

A Universidade Federal do Nordeste do Pará tem tudo para ser mais uma experiência vitoriosa da UFPA. A nova instituição será formada a partir da fusão dos campi de Bragança (local da sede) e de Capanema; dos polos de Capitão Poço e de Viseu, podendo envolver ainda os núcleos de Salinas ou de São João de Pirabas. Suas atividades serão desenvolvidas em todos os municípios das microrregiões Bragantina, do Salgado e do Guamá. Em que pese as dificuldades, a região nordeste do Pará possui a melhor infraestrutura do estado, tanto de rodovias, como de educação, saúde pública e comunicação. A nova universidade será integrada ao meio ambiente e vai trabalhar na formação de profissionais para atuar nas áreas de biologia, de medicina, de engenharia de pesca e de educação ambiental voltada para o turismo e o ecoturismo já que a região tem potencial suficiente para a prática dos esportes naturais, a pesca esportiva, o iatismo, canoagem, ciclismo e outros tantos tão procurados pelos visitantes. A língua inglesa, importante instrumento do mundo globalizado, também está contemplada nos cursos da Ufnepa. Como estratégia para o desenvolvimento regional, serão implantados cursos de engenharia ligados à formação da engenharia do petróleo porque já existem poços sendo perfurados na costa nordeste do Pará, em águas profundas, com grandes possibilidades de sucesso, e uma das metas da instituição é justamente “a formação de profissionais na área de prospecção, refino e química fina do petróleo, visando sanar a carência de profissionais numa área onde o Pará, em particular, e o Brasil, em geral, têm carências”. Já existem empresas nacionais e até de outros países de olho na possibilidade desse sucesso. Então, nós não devemos perder a oportunidade.

Eu fico muito satisfeito com projetos assim, porque conheço o Pará de ponta a ponta. Sei das suas dificuldades, mas também sei das potencialidades. A costa nordeste do Pará é a mais rica em pescado, e muita gente boa quando come lagosta no Ceará, ou em qualquer outro estado do Nordeste, pode estar saboreando uma exportação do município de Augusto Corrêa, por exemplo. A Universidade do Nordeste Paraense tem tudo para ser um sucesso e todos aqueles que querem o progresso do nosso estado devem brigar por ela. Imagine o impacto que será a ida de 600 professores universitários para a região? Pode mudar muita coisa, inclusive as relações pessoais e a administração municipal.

Eu garanti ao professor Schneider, e confirmo aqui a todos os paraenses, o meu compromisso com essa fantástica promessa que é a implantação, em cinco anos, da Ufnepa. Como senador da República, congressista e representante do Pará, afirmo que já estou engajado politicamente na viabilização do projeto junto ao MEC e no trabalho de garantir recursos para as obras. O projeto cabe muito bem como homenagem ao governador Augusto Montenegro que construiu a estrada de ferro Belém-Bragança no início do século passado. A obra permitiu a abertura de novas frentes de trabalho e o desenvolvimento regional, preliminarmente, feito com a chegada de nossos irmãos nordestinos que buscaram a Amazônia tangidos pelo sofrimento das secas.

JADER BARBALHO
*Texto originalmente publicado no Jornal Diário do Pará no dia 29 de Abril de 2012.

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FÉRIAS

Entre as conquistas mais importantes do trabalhador estão as férias. Não só porque proporcionam merecido descanso depois de 11 meses de trabalho, mas porque estão relacionadas à saúde pública. Como cidadão e como homem público, entristece-me saber que parte desse direito pode ser vendido. As férias não poderiam nem deveriam ser negociadas, porque elas são a oportunidade que as pessoas têm de se restaurar, de oferecer ao seu corpo, à sua mente, um período sem compromisso formal.  Todos deveriam ter esse tempo para relaxar.

Assim como o trabalhador, os estudantes também gostam desse período e muitas famílias aproveitam para coincidir suas férias com as de seus filhos para se afastar do ritmo estressante deste cotidiano moderno, no qual não existem mais quintais na maioria das casas, e crianças e adolescentes vivem praticamente presos à realidade virtual dos jogos e brincadeiras do computador. Isso para quem pode. Famílias mais pobres, durante o ano inteiro, vivem entre quatro reduzidas paredes e enfrentam o problema de ter férias e não ter para onde ir, por falta de dinheiro ou de alternativas que o poder público deveria oferecer. Quando construí a ponte do Outeiro, pensei nisso. Também acabei com o pedágio que era cobrado na ponte de Mosqueiro (fui eu, como governador, quem pagou o empréstimo que o estado fez para a construção da ponte),  porque o pedágio era um empecilho, um obstáculo aos mais pobres. Sempre estive preocupado com isto: oferecer lazer que estivesse ao alcance de todos. Construí a rodovia que leva à praia do Crispim, como alternativa para Marudá. Fiz o mesmo em Bragança e construí a estrada até a praia de Ajuruteua, que não existia. O projeto O Povo vai à Praia, no meu governo, era preparado com antecedência de seis meses, para que houvesse tempo de se conversar com as prefeituras envolvidas, conhecer os problemas e elaborar programações que envolviam profissionais de educação física e da área artística, além de comprometer os órgãos estaduais na perfeita organização das férias de julho para que os municípios selecionados contassem com infraestutura necessária para atender à população que se multiplica na época, porque é terrível escolher o local das férias e depois enfrentar problemas de toda sorte, como falta de água, energia, segurança nas praias, transporte e a falta de abastecimento.

Como vivemos hoje um tempo de consulta popular sobre o destino de todos nós, paraenses – vamos ter que responder a um plebiscito em pouco tempo – eu imagino que seria muito salutar conhecer mais o Pará. O Pará tem que ser conhecido para ser mais amado.  Nós temos paisagens fantásticas como as praias que se formam ao longo do rio Tapajós, as verdes águas do Xingu, os lagos formados pelo Nhamundá, ou as ilhas que desabrocham nesta época no rio Araguaia. Uma paisagem inesquecível que eu trago na memória é a visão de estar às margens do Araguaia, na cidade de Santa Maria das Barreiras, numa manhã de domingo, há muito tempo. Conceição do Araguaia, por exemplo, é mais frequentada e conhecida por turistas de outros estados. A beleza de Marajó, seus campos, suas fazendas, Soure, Ponta de Pedras e Salvaterra; Mosqueiro e Colares; Icoaraci, que está bem perto de Belém, e onde se pode beber água de coco e apreciar a baía de Guajará; Salinas, São Caetano de Odivelas, São João de Pirabas; a praia da Romana, em Curuçá, onde se imagina a construção do Porto de Espardate; o nordeste paraense com fazendas e campos parecidos com os do arquipélago de Marajó… Enfim, são as tantas belezas que o que nos falta é engenho e arte para encarar o desafio da área turística que é preparar, divulgar e estimular os paraenses a conhecer mais a sua terra. Com o esforço da população e o trabalho do poder público, é possível – principalmente para a o povo mais pobre –  ter mais opções e aproveitamento das belezas paraenses que nada devem aos grandes postais de terras estrangeiras.

JADER BARBALHO
*Texto originalmente publicado no jornal Diário do Pará no dia 03 de Julho de 2011.

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