Universidade do Xingu

O desmembramento de unidades de instituições federais já existentes para criação de novas universidades e abertura de mais vagas para o ensino superior está dentro da proposta do senador Jader Barbalho (MDB) de unir esforços para fortalecer o ensino público superior no Pará. Na semana passada, ele encaminhou ao presidente da República, Michel Temer, ofício solicitando apoio para a criação da Universidade Federal do Xingu, a partir da transferência do campus de Altamira da Universidade Federal do Pará.

A solicitação foi feita ao presidente Temer após encontro do senador Jader com o deputado estadual Eraldo Pimenta (MDB), que apresentou uma moção assinada or professores, técnicos e coordenadores de cursos do campus de Altamira mostrando a grande demanda pela criação de mais vagas.

“Estamos falando de uma das mais importantes regiões do Pará, que foi recentemente usada pelo Brasil para construir a maior hidrelétrica genuinamente brasileira, a usina de Belo Monte, que gerou impactos ainda incalculáveis para aquela região. Hoje temos ali uma população de mais de 750 mil pessoas. Então é um dever do governo federal retribuir com a oferta de instrumentos básicos para a cidadania de nosso povo paraense, como a educação superior de qualidade e gratuita”, lembrou Jader Barbalho.

A região a ser beneficiada e que sofreu os impactos durante vários anos com a construção de Belo Monte compreende, além do Xingu, a Transamazônica, o Baixo Amazonas, a BR-163 e o Tapajós.

Jader lembra que é uma região que historicamente enfrenta dificuldades de acesso e deslocamento. “Estamos falando de uma região que enfrenta enormes dificuldades para a superação da pobreza e das desigualdades sociais cuja população aguarda há décadas ações que somente o Poder Executivo pode implementar”, lembra o senador. “Não podemos perder esta oportunidade de dar acesso aos jovens que desejam estudar e ter formação superior”, completa.

O Pará já conta com quatro universidades federais, duas delas criadas pelo processo de desmembramento de outras. Jader Barbalho lembra que o processo de expansão das instituições federais de educação superior precisa ter continuidade, de forma a garantir a ampliação do número de vagas. “É um dos mais eficazes instrumentos de promoção do desenvolvimento científico e tecnológico além de reduzir as desigualdades sociais e regionais”, acentuou.

A Região Norte foi a que experimentou o menor aumento no número de ofertas de vagas na rede federal de educação superior no período de 2006 a 2016, conforme dados do Censo da Educação Superior.

Jader Barbalho lembra que foi graças à mobilização da bancada federal do Pará que foi possível, em 2009, criar a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), a partir do Campus de Santarém da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Unidade Descentralizada Tapajós da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA).

Em 2013, por sua vez, foi criada a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA), a partir do desmembramento do Campus de Marabá, também da UFPA, instituição de grande respeitabilidade, cuja criação remonta ao Presidente Juscelino Kubistchek.

O Campus de Altamira, situado na Mesorregião do Sudoeste do Pará, atende os municípios de Altamira, Anapu, Brasil Novo, Medicilândia, Pacajá, Senador José Porfírio, Uruará, Vitória do Xingu, Gurupá, Porto de Moz e Placas, tendo o Rio Xingu e a rodovia BR-230 como as principais vias de locomoção.

A região, conhecida como “Território da Transamazônica e Xingu – TransXingu”, corresponde a 259.333,34 km², mais de 20% do território do Pará, com cerca de 70% da região composta de área protegidas, abrangendo uma população de cerca de 331 mil habitantes, conforme o Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Essa população é formada em grande parte por indígenas ou descendentes de indígenas.

Os projetos de desenvolvimento levados para aquela região, principalmente o da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, causou um grande impacto migratório, com aumento da demanda por educação básica e superior.

O Campus de Altamira foi criado na década de 1970 para atender a demanda local, especialmente a qualificação do sistema educacional, por meio da formação de professores, bem como a promoção do desenvolvimento econômico regional, por meio da formação de agentes de desenvolvimento.

Atualmente, são oferecidas no Campus de Altamira formações nas áreas de Ciências Biológicas, Educação, Engenharia Agronômica, Engenharia Florestal, Etnodiversidade, Geografia, Letras – Língua Portuguesa e Letras – Língua Inglesa.

Há, também, oferta de cursos de pós-graduação lato e strictu sensu, bem como iniciativas de pesquisa e extensão. O campus conta com cerca de 1.500 alunos em cursos presenciais, além daqueles atendidos na modalidade a distância. Conta com 131 docentes em seu quadro, dos quais 116 são mestres ou doutores, e 37 técnicos administrativos em Educação.

No ofício encaminhado ao presidente Michel Temer, o senador Jader Barbalho lembra que existem dois projetos de lei em tramitação propondo o desmembramento, um na Câmara dos Deputados e outro no Senado.

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