TRINTA ANOS DE SUS

O SUS (Sistema Único de Saúde), reconhecido pela OMS (Organização Mundial de Saúde) como o maior sistema gratuito e universal do mundo, vai completar trinta anos. Hoje, sete em cada 10 brasileiros dependem exclusivamente do sistema público de saúde. O Brasil garante à população acesso gratuito a todas as vacinas recomendadas pela OMS e no SUS funciona o maior modelo de transplantes de órgãos do planeta e assistência integral gratuita para portadores de HIV, doentes de AIDs, pacientes renais crônicos, com câncer, tuberculose e hanseníase. De acordo com Thomas Hone, pesquisador inglês no Imperial College of London e que estuda sistemas universais de saúde, o Brasil é referência para qualquer país que queira aprender sobre atenção primária.

Em 1988, ano da constituição cidadã que estabeleceu que saúde é direito de todos e dever do Estado, eu era o ministro da Previdência Social, e tinha a missão de implantar o SUDS (Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde), o atual SUS. O orçamento do Ministério da Saúde correspondia a 10% do orçamento do INAPMS, que cuidava da questão médico-hospitalar e laboratorial. E a maior parte das pessoas do órgão era contra a universalização do atendimento. Foi necessária habilidade política e apoio do presidente José Sarney para implantar o que regia a nova constituição. E consegui graças a um aliado, que era o secretário de saúde de São Paulo, o cirurgião Dr. José Aristodemo Pinotti, que numa grande reunião na capital paulista, com a presença de todas as autoridades de saúde de São Paulo, todos os prefeitos, assinei a portaria que descentralizou as atribuições do INAMPS para a Secretaria de Saúde de São Paulo, que posteriormente deveria descentralizar para os municípios, surpreendendo o pessoal do INAMPS. Comecei em São Paulo e depois fiz em outros estados da federação.

A descentralização inaugurou uma fase nova, em que as pessoas não precisavam de uma carteira de trabalho ou estar empregadas para ter direito a um leito de hospital e ao atendimento médico com dignidade. O sistema tem problemas e recebe inúmeras críticas. O debate sobre o financiamento é contínuo, mas a principal questão é a gestão dos recursos. Os gestores da saúde pública ainda estão aquém da missão a eles destinada. O SUS é uma conquista do povo brasileiro e há ainda muito a melhorar na eliminação das filas e tempo de espera, maior descentralização do atendimento médico nas regiões, na modernização dos equipamentos hospitalares e que todos, com a inclusão dos mais carentes, tenham os mesmos cuidados médicos oferecidos pelos grandes hospitais particulares.

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