A realização da Feira do Livro, no Hangar, é uma fórmula de sucesso. Talvez seja o maior evento da iniciativa pública, o que reúne o maior número de jovens e a família inteira para interagir, conversar, comprar e se atualizar com o mundo. O livro nos permite isso, a interação, o conhecimento, o sonho.
Se eu tivesse que eleger minhas melhores obras como homem público, certamente colocaria o Centur no topo. O prédio da Fundação Tancredo Neves, na Avenida Gentil Bittencourt, em Belém é a realização de uma reivindicação, de uma necessidade do povo paraense, que não possuía um centro de convergência cultural de um estado tão rico em música, poesia, literatura, folclore e cultura popular. Eu falo do Centur porque está diretamente ligado à Feira do Livro, pois foi lá a sua estréia e também foi lá que inauguramos a Biblioteca Pública Arthur Viana, antes alojada de forma acanhada, num prédio antigo no centro de Belém. Com a nova biblioteca, os estudantes podem realizar pesquisas, conhecer grandes autores, ter acesso a um volume maior de títulos, enfim, estudar num espaço mais abrangente e confortável. Assim, desde aquela época, a Feira do Livro sempre reuniu a juventude estudantil; das camadas menos favorecidas até as classes mais altas.
Com o Centur, abrimos um novo tempo para a livre manifestação cultural e artística e, realizações de projetos, como o Preamar, que uniu atividades de cultura da capital e interior; o projeto Relendo o Pará, que reeditava obras esgotadas de escritores paraenses como Dalcídio Jurandir, Bruno de Menezes e outros. Eventos como o Congresso da ABAV (a maior feira de turismo do país e realizada somente uma vez na Amazônia, em 1986), o Seminário da OEA (Organização dos Estados Americanos), a Feira do Livro e tantos outros eventos realizados marcam o Centur como uma alavanca de desenvolvimento cultural do nosso estado e que contribui diretamente na formação de nossa juventude.
Permaneço em contato permanente com todo o povo do Estado do Pará e visito periodicamente todas as regiões. O conhecimento, através do livro, ainda não chegou a todas as localidades. O Centur, como centro difusor, necessita estar aparelhado, modernizado com novos equipamentos e recursos humanos treinados para garantir a todos, principalmente os nossos estudantes, acesso ao conhecimento.
Fico orgulhoso em ver uma iniciativa minha ainda perdurar até hoje com o mesmo sucesso, com o mesmo interesse. Sei que hoje o debate se volta para a Internet, o computador como meio de acesso aos livros, a possível redução e custos e até a questão sobre o meio ambiente. É uma discussão que está na ordem mundial e pode até ser que um dia a expressão literária seja feita de outra forma. Por enquanto, nada substitui o prazer de se manusear um livro, de ir da primeira até a última palavra e depois, guardá-lo na memória como referência de um tempo. O livro é como uma música, um filme. Todos nos deixam marcas; os melhores nós guardamos no lado esquerdo do peito, como diz a canção.
Quero aqui registrar meus parabéns aos que continuaram uma obra que iniciei e que me dá muito orgulho. Parabéns, ainda, aos escritores e participantes e aos jovens estudantes – o maior público da Feira – por comparecer a um evento educativo, público, que coloca Belém dentre as capitais brasileiras com programas de estímulo à leitura e à educação.
JADER BARBALHO
*Texto originalmente publicado no jornal Diário do Pará no dia 15 de novembro de 2009
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