O SALÁRIO DO PROFESSOR

O Governo do Pará divulgou que vai pagar aos professores o piso integral garantido pelo Ministério da Educação no mês de fevereiro deste ano.  O Pará vai pagar, para a maioria dos 27 mil professores da rede pública, um salário médio bruto de pouco mais de 4 mil reais, se adicionadas as gratificações do cargo. Um professor da rede estadual, em início de carreira, passa a ganhar 3,5 mil reais. O salário ideal talvez nunca seja alcançado, tamanha é a responsabilidade que tem um professor, seja da escola privada ou da pública, mas já é um indicativo de que as coisas começam a melhorar.

Essa notícia, com certeza, agrada não só aos professores e seus familiares, mas a todos nós, alunos, pais e a comunidade, pois sabemos que um Estado que paga melhor seus professores tem preocupação com a educação. Ainda falta o atendimento de muitos outros itens, porque a Educação no Pará não anda bem das pernas. Existem escolas que há quase duas décadas não sofrem reformas. Nos municípios mais distantes, ou mesmo nas periferias de Belém, há escolas que não têm banheiro, o telhado está esburacado e, se duvidar, falta até giz. O aluno, que é o sujeito da questão, muitas vezes só conta com a boa vontade do professor. Mas, boa vontade não compra livros, nem bibliotecas, nem constrói prédios. Quem acompanha a luta e a caminhada dos professores no Brasil vai ver que eles andam meio tristes, desanimados com os rumos da educação. Os professores sabem que as próximas gerações vão sofrer as consequências da realidade atual.

A Educação no Brasil, além de necessitar urgentemente de pagar melhor seus professores, deve estar preocupada com as condições das escolas e com a atualização dos profissionais. Não há mais como, nos dias atuais, o professor trabalhar apenas com um quadro negro e o giz. Esse quadro negro já está ultrapassado há décadas, no mundo todo. A era da informática nos dá notícias atualizadas de minuto em minuto. É preciso preparar os professores, equipar as escolas, dar condições de trabalho ao professor. Se um professor ganha melhor, trabalha mais feliz. Pode comprar seus equipamentos modernos, ler e viajar mais e assim adquirir mais conhecimento, mais informação para transmitir em sala de aula. É preciso investir em tecnologia.

Outra questão urgente é trabalhar com a sociedade para colaborar com o governo e outras instituições na vigilância constante das condições das escolas. Todos nós sabemos que a educação está acima de qualquer outro fator para o crescimento do homem. Então, a sociedade deve estar atenta quanto à segurança, às condições de higiene das escolas, a uma qualidade melhor do ensino e à inclusão das escolas no mundo contemporâneo para preparar profissionais qualificados para o mercado de trabalho.

Já governei o Estado por duas vezes, e todos sabem o quanto eu sou preocupado com a educação. No meu governo, implantei o Estatuto do Magistério e fiz o que pude fazer de melhor pela educação. Muitas ações do meu governo continuam a beneficiar até hoje professores e alunos da rede pública. Interiorizei o ensino superior em convênio com a UFPA e criei a Universidade do Estado do Pará que teve polos implantados nas diversas regiões do Estado.  O Sistema Modular da Secretaria de Educação, nos meus governos, levou o 2º grau para o interior, onde os alunos estudavam em etapas até que todo o currículo fosse cumprido. O maior salário-aula do 2º grau no Brasil estava aqui no Pará.

O prédio do Centur, por exemplo, é uma obra do meu governo que abriga a maior biblioteca do Pará e recebe centenas de estudantes, principalmente os mais pobres, todos os dias. No que me cabe, estou sempre ao lado dos professores, porque sei que esta é uma profissão que abriga apaixonados por seu trabalho. Fico admirado, mesmo nos dias de hoje, com a quantidade de jovens que escolhem o magistério, quando as mídias prometem tantas facilidades em carreiras que podem trazer sucesso e dinheiro.

Gostei do aumento para os professores e espero que o governo possa cumprir todas as metas anunciadas para a Educação no Pará.

Jader Barbalho
*Texto originalmente publicado no Jornal Diário do Pará no dia 11 de Março de 2012.

Conheça a versão on-line do meu livro “Tempo do Trabalho”.

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